Anúncio provocou queda no preço do petróleo
O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”, escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, em sua plataforma Truth Social nesse domingo (14).
A publicação foi feita logo após o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país atuou como mediador, anunciar que um acordo havia sido fechado. O memorando de entendimento deve ser assinado oficialmente na sexta-feira (19), na Suíça.
Os termos exatos não foram divulgados imediatamente. Sharif disse, em uma postagem no X, que o pacto previa “o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”.
O Líbano tem sido um ponto de discórdia nas negociações, com Israel e o Hezbollah ignorando os apelos de Trump e outros para que cessassem os ataques mútuos nas últimas semanas. Em comunicado, a secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo o
Líbano, terminariam definitivamente a partir da noite desta segunda-feira.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que as Forças Armadas israelenses permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por tempo indeterminado, a fim de proteger a fronteira e os assentamentos israelenses, acrescentando que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixaram isso bem claro para Trump e outras autoridades americanas.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que um acordo mais abrangente sobre o conflito em geral seria negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias, incluindo o alívio das sanções contra o Irã. O destino do programa nuclear do Irã, outra questão espinhosa, também será abordado nessas negociações posteriores, informaram fontes anteriormente à Reuters.
Estreito será reaberto
Os preços do petróleo caíram com a notícia. Os futuros do petróleo Brent caíam 4% no início das negociações na segunda-feira, enquanto os mercados de ações na Ásia dispararam. A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã marcou um “avanço potencial” na guerra e que a UE agora avaliaria como pode se envolver na próxima fase.
“Desde influência econômica até conhecimento nuclear e relações de longa data com parceiros do Golfo, a UE está pronta para contribuir para uma resolução sustentável”, disse Kallas em postagem no X, antes de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores dos 27 Estados-membros da UE em Bruxelas.
A guerra tornou-se um fardo político interno para Trump e seus pares republicanos no Congresso, com pesquisas de opinião mostrando que os norte-americanos estão profundamente frustrados com o aumento dos preços da gasolina antes das eleições de meio de mandato de novembro. Mas Trump também tem enfrentado pressão de membros de seu próprio partido, que insistem que o programa nuclear do Irã deve ser completamente encerrado.
O senador republicano Lindsey Graham, um dos principais defensores de uma linha dura contra o Irã, elogiou o acordo, mas disse que estaria “acompanhando de perto” as próximas negociações sobre o programa nuclear iraniano.
“De acordo com nossa lei, qualquer acordo nuclear com o Irã será enviado ao Congresso para análise e votação”, disse ele. “Parabéns a todos por nos levarem até esse ponto.”
Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os EUA de um acordo multilateral com o Irã de 2015, negociado pelo presidente democrata Barack Obama, que suspendeu as sanções contra Teerã em troca de limites ao seu programa nuclear, incluindo inspeções internacionais.
 O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu discordou de Trump quanto às exigências americanas de que Israel restrinja sua ação militar no Líbano para permitir que os Estados Unidos cheguem a um acordo com o Irã.
Israel afirmou que manterá a liberdade de operações no Líbano, enquanto o Irã fez do cessar-fogo total no país um componente importante de suas exigências.
Líderes fora do Oriente Médio, que acompanhavam o conflito com cautela, receberam bem o anúncio. Em declaração conjunta, Reino Unido, Alemanha, França e Itália afirmaram estar preparados para suspender as sanções contra o Irã em resposta a “medidas claras e verificáveis” para limitar seu programa nuclear. Antes do anúncio do acordo, uma autoridade iraniana disse à Reuters que, nos termos preliminares, os Estados Unidos concordariam em liberar US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados. O governo Trump havia afirmado anteriormente que qualquer liberação de dinheiro iraniano só ocorreria depois que o Irã cumprisse certas condições previstas no acordo de paz.
Uma autoridade norte-americana, que também falou antes do anúncio, afirmou que o acordo levaria, em última instância, ao desmantelamento do programa nuclear do Irã, com seu estoque de urânio altamente enriquecido a ser destruído e removido. A autoridade iraniana lembrou que o projeto de acordo permitiria ao Irã, que nega estar
buscando uma bomba nuclear, diluir seu urânio enriquecido dentro do país.
Fonte: Reuters